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domingo, 29, novembro, 2020 | 10:17:58 PM

Borgen

Esta que vos escreve possui algumas predileções profissionais, dentre as quais, o jornalismo – óbvio –  e a política. No momento, inclusive, estou unindo ambas em um “job” além do Ivi em Cena e amando cada minuto.

Então que, quando um colega de profissão, de quem sou deveras fã, me indicou “Borgen”, do Netflix, foi “match” instantâneo. Em menos de duas semanas, maratonei os trinta episódios enquanto pedalava minha ergométrica, em um misto de “só vou ver mais um” e “tenho que tirar o pé porque está acabando”. Realmente, esta obra dinamarquesa é sensacional.

Ela narra a trajetória política de Birgitte Nyborg, presidente de um dos partidos de centro, o Moderados, e sua ascensão, meio despretensiosa, à cobiçada cadeira de líder máxima do parlamento da Dinamarca. Interpretada pela competente Sidse Babette Knudsen – indicada ao Emmy de melhor atriz pelo papel -, Birgitte ganha o expectador já nos momentos iniciais do primeiro episódio. Além de esposa, mãe, mulher que briga com a balança, tomamos conhecimento de uma política extremamente ética e com valores sedimentados e com os quais ela não negocia.

Após um discurso inspirado no último debate televisivo antes das eleições e no bojo de um escândalo que levou o então primeiro-ministro à renúncia, Brigitte leva seu partido a conquistar um número considerável de assentos e torna-se a primeira mulher a ocupar a posição de primeira-ministra dentro do “Borgen”, nome abreviado do Palácio de Christiansborg, sede do Parlamento dinamarquês.

       Alçada à cobiçada posição, Brigitte recontrata seu antigo assessor de imprensa (spin doctor) Kasper Juul (vivido por Pilou Asbæk, mais conhecido como o tirano Euron Greyjoy de “Game of Thrones”), para lidar com a mídia, bem como preparar seus discursos.

       Todos os personagens são muito bem construídos. Apesar de se passar entre 2010 e 2013, a série permanece atual, visto que aborda questões como imprensa sensacionalista, vaidade, maioridade penal, doenças mentais e lógico, os desafios e jogos do poder.

       Pouco a pouco vamos conhecendo as motivações e fragilidades de cada um, bem como suas idiossincrasias. Também se nota que até na evoluída Dinamarca a mulher não consegue ter tudo. Ah… e lá também vemos masculinidade fragilizada e rompantes de machismo de alguns cidadãos.

       No âmbito político, é possível notar que, ao mesmo tempo que a série retrata o parlamentarismo como uma solução democrática para quase todos os males do mundo, também deixa à mostra a fragilidade que este sistema pode ter, quando manipulado por pessoas com não tão boas intenções.

       Neste ponto, porém, é possível relaxar um pouco. Afinal, o padrão ético deles é bem elevado, mesmo quando nem colocamos o Brasil na régua. Se compararmos Birgitte e seu governo com Frank Underwood, de “House of Cards”, também do Netflix, já dá para pensar em beatificar a dinamarquesa.

       Brincadeiras à parte, a série é magistral. Uma aula por episódio, seja de política internacional, orçamento, jornalismo de qualidade, relação com a mídia, etc.

       “Borgen” merecia mais umas duas temporadas, no mínimo. Parou na terceira, mas fechou todo o arco. Recomendo muito… é daquelas que daqui seis meses, mais ou menos, assistirei de novo, pois é um primor de obra.

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