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quarta-feira, 03, março, 2021 | 12:16:47 PM

Dia D: o do Brasil e o meu

E eis que o Dia D – apontado como data de início da vacinação no país pelo ministro da saúde e general da ativa Eduardo Pazuello – aconteceu hoje.  A fala da maior autoridade à frente do Ministério da Saúde soou como mais uma das inúmeras bravatas, chacotas e frases de pouco caso proferidas por este governo tenebroso.  

Porém, citando o genial Emicida, “o feijão germina no algodão, a vida sempre vence”, não teve para ninguém… hoje a vitória foi da vida. Afinal, testemunhar Mônica Calazans –  mulher, negra, moradora de Itaquera e membro da linha de frente do combate ao COVID (ela é enfermeira na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de São Paulo) – recebendo a primeira dose da vacina no país, dentro do Hospital das Clínicas, foi uma imagem que, além de emocionar, estava carregada de significados. A despeito do genocídio organizado que parece ser agenda do governo Bolsonaro, lá estavam estampados os êxitos da ciência, do SUS e da diversidade.

Realmente, fiquei emocionada… Pode ser que, pelo fato de minha única filha, a Duda, fazer aniversário justamente hoje, a carga emotiva da pessoa aqui esteja meio descalibrada…  Porém, pode ser mais que efeito colateral materno. Afinal, há 15 anos esta data também tornou-se o “meu” dia D (de Duda). A maternidade me fez melhor, mais sensível, lutadora, leoa mas também me colocou em confronto com a brevidade da vida. Algo como “virei mãe, preciso viver.” 

Então que a linda menina Duda foi crescendo em um país repleto de mazelas, porém, com certa tolerância e respeito ao próximo… até 2018. A eleição do capitão do baixo clero à presidência, infelizmente, mudou o jogo. Foi um soco no meu estômago, mas segui em frente. Aí, veio a pandemia e os disparates, os crimes de responsabilidade e a pauta genocida causaram um mix de desalento e revolta. Como criar uma jovem mulher em um país assim?

Por isso, a imagem de Calazans tomando a vacina realmente foi (mais) um presente para mim, recebido no mesmo 17 de janeiro que mudou minha vida. Se sempre falo que minha filha fez da minha vida uma eterna manhã de Natal, também afirmo que aquela imagem, histórica, renasceu em mim um sentimento que já não sabia mais que existia: a esperança.

Esperança de um amanhã melhor, de um governo ausente de necropolítica, de voltar a abraçar pessoas e planejar viagens… Hoje, só por hoje, me permito “esperançar”. Parafraseando um dos meus poetas preferidos, Caio Fernando Abreu, se for para ficar triste, vou deixar para amanhã, hoje não…

Pois é fato que amanhã ainda teremos quase 15% de desempregados, o Amazonas continuará agonizando,  o país seguirá empilhando seus mortos, a logística para distribuição e a quantidade de vacinas disponíveis serão um pesadelo e  Bolsonaro e  seus asseclas continuarão trabalhando forte contra nossa saúde mental.

Ainda assim, é motivo para comemoramos, enquanto povo brasileiro… Afinal, a eficácia global da famigerada vacina pode alcançar 50,38%, cientificamente falando. Porém, em termos de cidadania, ela bateu 100% em uma única dose: contra o racismo, o machismo e o negacionismo. Enfim, sucesso total. 

Então, neste 17 de janeiro de 2021 eu desejo vida longa: à minha filha e à ciência. Que ambas tenham dias melhores… certamente eles virão. Eu creio.

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