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domingo, 29, novembro, 2020 | 09:50:34 PM

Fórum em defesa da Copel Telecom reúne lideranças do estado

Evento on-line acontece neste sábado e tem o objetivo de conscientizar os paranaenses da importância estratégica da empresa como patrimônio público

A empresa Copel Telecom foi criada na década de 70 e formalmente constituída em 2001, com o objetivo de suprir as necessidades de comunicação entre as unidades administrativas, as subestações e as usinas da Copel.

Hoje, a subsidiária da companhia paranaense de energia conta com mais de 36.1 mil kms de cabos de fibras óticas instalados nos 399 municípios do estado, atendendo mais de 171 mil clientes que vivem nas 85 cidades que já contam com a Banda Extra Larga. No ano de 2019 a empresa teve uma receita operacional líquida de R$ 421,2 milhões, além de R$ 146,3 milhões em programas de investimento.

Mesmo apresentando números tão expressivos e abrangendo todo o estado do Paraná, por decisão do governo atual, o leilão da Copel Telecom está marcado para o dia 09 de novembro deste ano, com um valor mínimo estipulado em R$ 1,4 bilhão. Com base em uma orientação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU), a venda da empresa não precisou de autorização da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), mas apenas da aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Toda a movimentação para a privatização de uma das empresas mais relevantes do cenário paranaense causou estranheza a muitas pessoas e entidades. Afinal, quando se fala na universalização do acesso à internet, demanda latente ainda mais no cenário atual – de incerteza econômica e nível elevado de desemprego -, a empresa, quando pública, se torna vital para dar suporte a políticas públicas de inclusão digital. De acordo com o administrador e mestre em Desenvolvimento Regional pela Unioeste Bolívar Alencar Ribeiro, que trabalha na Copel há dez anos, sendo mais de oito destes na Copel Telecom, “o mercado privado não tem interesse em levar telecomunicações de qualidade às cidades do interior e aos bairros de famílias de baixa renda nas grandes cidades. A Telecom pode e deve avançar nessa tarefa. Ser um estado digital, para todos e todas, passa por manter a Copel Telecom, como elemento chave para que todo o Paraná esteja conectado, com muita qualidade, nos novos tempos”.

Como funcionário da casa, Ribeiro enfatiza que os impactos desta operação são enormes e das mais diversas ordens, visto que a empresa “dinamiza o mercado de telecomunicações no Paraná, elevando os patamares de qualidade e obrigando com que fornecedores privados melhorem seus serviços. Em muitas cidades a Copel Telecom é a única alternativa aos serviços falhos de operadoras como a Oi”, concluiu o administrador.

Em consonância a estas palavras está o discurso do advogado pós-graduado em Criminologia Crítica pela Universidade de Bolonha, Dudu Moreira, que ressalta que “de acordo com o artigo 7º do Marco Civil da Internet, o acesso à rede é essencial ao exercício da cidadania”. Por isso, para Moreira, é fundamental que a Copel Telecom continue pública. Ele argumenta que, “segundo a futurista Daniela Klaiman, em um horizonte de dez anos, provavelmente, o mundo testemunhará uma grande crise de empregos, em razão da substituição dos postos de trabalho que, atualmente são ocupados por pessoas e passarão a ser ocupados por máquinas”. Para o advogado, uma alternativa viável para esta perda de postos de trabalho são as plataformas de economia compartilhada. Para isso, “é evidente que, para o futuro a curto/médio prazo, uma matéria-prima essencial aos empregos é o acesso à internet. Isto ressalta o risco de se abrir mão de uma companhia com a ponta tecnológica das comunicações, no auge da era da informação”, ressalta Moreira.

Sob o ponto de vista jurídico, Moreira demonstra preocupação de que a empresa seja adquirida por estatais estrangeiras, visto que no edital de leilão consta uma cláusula que especifica essa possibilidade. “Uma empresa paranaense, com tecnologia de ponta, sendo passada para as mãos da iniciativa privada ou domínio de outros países é algo a se lamentar e combater”, concluiu o advogado.

Quem faz coro a esta preocupação é o também advogado e ex-deputado constituinte Nelton Friedrich, que pontua que “quem compra as nossas empresas são estatais chinesas, espanholas edinamarquesas”, para fazer a seguinte reflexão: “ora, então uma estatal estrangeira é boa para gerir nossos recursos estratégicos e para nós a estatal brasileira não serve. De onde vem esse raciocínio? Até quando iremos manter esse pensamento esdrúxulo? ”, questiona Friedrich.

“Na verdade, precisamos entender para que e para quem servem as estatais. Afinal, nenhum país do mundo se desenvolveu sem ter um projeto nacional, uma proposta de desenvolvimento, uma ideia de mercado interno e a compreensão de que o capital se faz em casa. É ilusão pensar que o capital virá de fora”, finaliza o ex-deputado.

Tanto Ribeiro como Moreira e Friedrich apontam a agenda privatista e neoliberal do governador Ratinho Júnior, que segue a pauta de seu antecessor Beto Richa, como causa para esta venda. Ambos têm como premissa “rifar” o patrimônio público. Porém, de acordo com Cicero Martins Junior, engenheiro civil, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná, funcionário da Copel e membro do Fórum Paranaense em Defesa das Estatais, esta lógica está na contramão de acontecimentos recentes ocorridos no mundo.  Em artigo publicado no jornal Plural em agosto de 2019, Martins Júnior escreveu que “a privatização não está na moda em países desenvolvidos, mas apenas no ‘novo terceiro mundo’. Lá fora, 900 reestatizações foram feitas em países como EUA (67) e Alemanha (348) na última década.  De acordo com a TNI (Transnacional Institute), dessas estatizações, a maioria ocorre em água, luz, transporte público e lixo. Na Inglaterra, por exemplo, foi rompida parceria para a construção de metrô. Já em Paris, na França, o município decidiu não renovar a concessão para a exploração de água e esgoto. Algo oposto ao que se ensaia no Congresso Nacional”.

No mesmo artigo, o engenheiro também apontou que “o Brasil também tem seu exemplo recente de reversão de privatizações. Em Goiás, governada pelo conservador Ronaldo Caiado (DEM), o estado pediu o cancelamento da concessão dada a italiana Enel, que explora o fornecimento de energia. O fato é, já temos quase duas décadas de experiência para não precisarmos nos arrepender daqui alguns anos”, concluiu Martins Júnior.

Com tantas evidências da necessidade de a empresa permanecer em posse do governo paranaense, Dudu Moreira, que também é apresentador e editor do canal e portal de notícias Biarticulando, ao lado dos demais editores, organizou um movimento denominado “Fórum Paranaense em Defesa da Copel Telecom”. A proposta do Biarticulando foi reunir algumas das maiores lideranças políticas do estado que defendem que a empresa permaneça em posse do Governo do Paraná, através de um compilado de vídeos com este conteúdo de apoio. O evento acontecerá no próximo sábado, dia 22 de outubro, das 14 às 18 horas, e será transmitido nas redes sociais do Biarticulando.

Quem desejar apoiar este movimento, pode curtir, comentar e compartilhar o evento criado no Facebook. Ao aumentar o engajamento, o Fórum ganha visibilidade e apoio popular. O coletivo Biarticulando patrocina a ideia de que uma empresa de telecomunicações forte, de ponta e pública é a chave para o desenvolvimento sustentável e inclusivo do estado do Paraná. Parafraseando e modificando um pouco bordão que ficou famoso na época do governo Jaime Lerner, que tentou, sem sucesso, privatizar a Copel, “a Copel Telecom também é nossa”. Os paranaenses merecem.

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