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domingo, 29, novembro, 2020 | 10:27:50 PM

Jeffrey Epstein – Poder e Perversão

A semana que passou já pode ser considerada histórica, pois nela aconteceram nos EUA os maiores protestos raciais desde a morte de Martin Luther King. O estopim, todos sabem, foi o assassinato do afro-americano George Floyd, ocorrido diante das câmeras, por policiais brancos.

No bojo deste momento ímpar, também contamos com a ressurgimento do grupo hacker Anonymus, que chacoalhou a internet com supostos vazamentos, incluindo documentos que envolveriam o presidente Donald Trump e outras celebridades de calibre no esquema criminoso de Jeffrey Epstein (a veracidade das informações, no entanto, ainda não foi confirmada), um bilionário detido por tráfico e prostituição de mulheres, inclusive menores, e que se enforcou (?) antes de ser julgado. 

Então que, um pouco antes destes acontecimentos, naquelas coincidências do entretenimento, o Netflix disponibilizou o documentário “Jeffrey Epstein – Poder e Perversão”, que narra a vida de luxo e crimes deste cidadão.

Dividido em quatro episódios, é possível assistir à história de Epstein em um dia apenas. Apesar da pauta indigesta, a trama é contada de forma não cronológica, com depoimentos e fatos que alternam o início dos anos 2000 e os últimos dois anos.

Os lugares retratados, de propriedade do magnata, são dignos da revista Architectural Digest: a mansão cinematográfica em Palm Beach, Flórida (local chave da rede de abuso sexual perpetrada por Epstein); a ilha privada no Caribe (nominada pelas vítimas como ilha da pedofilia); a Townhouse de U$ 77 mi onde vivia em NY e um racho em Ohio (a propriedade mais cara do estado).

Cenário da maioria de seus crimes, foram nestes locais que Epstein recebeu amigos do cacife de Donald e Melania Trump, Bill Clinton e o príncipe Andrew, filho mais novo da Rainha Elisabeth. 

Se o contexto de much noney and power versus meninas pobres e de lares disfuncionais como vítimas já enoja, o que dizer da justiça da Flórida, na figura de seu promotor, Alex Acosta, que após exaustiva investigação da polícia local e do FBI, em 2008, supervisiou um acordo de não acusação para Epstein, apesar das evidências de que ele havia abusado sexualmente de pelo menos 400 adolescentes.

Com este acordo o bilionário financista ficou preso por 13 meses e com a possibilidade de deixar a prisão 12 horas por dia, seis por semana “a trabalho”, ao invés de ser condenado à prisão perpétua.

Na ocasião, o chefe da polícia de Palm Beach, Michael Reiter, que tentava colocá-lo atrás das grades, chegou a se desculpar pessoalmente com as vítimas e suas famílias.

Corta para 2019. O mesmo Acosta agora é Secretário do Trabalho da gestão Trump. Novas investigações realizadas pela polícia de NY levam à detenção de Epstein, o que na esteira do movimento nas redes sociais #metoo (onde mulheres anônimas ou famosas relatavam serem vítimas de abusos sexuais, ao redor dos EUA e depois do mundo), repercute globalmente. Tal comoção leva à renúncia de Acosta. 

Os BFFs do bilionário caído em desgraça fazem a egípcia e negam relacionamento com ele, muito menos envolvimento. De Clinton ao palácio de Buckingham, notas veementes que só fazem desmentir. Mas o cerco está se fechando e um julgamento justo é esperado.

Até que enfim, parece que as vítimas terão justiça, bem como os cúmplices poderosos de Epstein (incluindo sua noiva Ghislaine Maxwell, parceira na mentoria e atitude para toda a intimidação e atração das vítimas para a rede de pirâmide sexual construída por ambos).

Porém, com uma reviravolta digna de Hollywood, Epstein se enforca em sua cela (há controvérsias, de acordo com uma autópsia independente realizada a pedido de seu irmão) sob a custódia federal, em NY.

Mesmo sem haver mais caso contra este predador sexual, o juiz de NY dá voz às vítimas, como uma maneira de haver retratação por parte do Estado perante todas.

A produção do Netflix vai até aí e deixa um tanto em aberto sobre o que aconteceu com os envolvidos. Sabe-se que Ghislaine nunca foi indiciada e que a vida dos super ricos e famosos seguiu normal.

O documentário vale cada minuto, pois retrata a psicopatia de um homem que mentiu desde sua formação acadêmica até o dia de seu último suspiro, e contou com conivência de parte da justiça, bem como de amigos da nata americana financeira e política.

É impressionante vê-lo se safar em 2008 e quase depois anos depois, ver o promotor responsável por isso sendo agraciado com um cargo pelo presidente Trump. 

Há muitas perguntas sem respostas e penso que exista material para uma continuação, que traria as ações civis por parte das vítimas, bem como o paradeiro de todos os envolvidos poderosos.

Se me perguntarem o que mais me chocou em todo o documentário, confesso que foi a denúncia contra o príncipe Andrew, com testemunha ocular e tudo e que não deu em nada… enquanto a suposta vítima foi desacreditada por todos, o insosso príncipe apenas foi afastado de suas funções reais. Como dizem os gringos: “disgusting”.

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