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sábado, 30, maio, 2020 | 09:51:51 AM

Copel Telecom Privatizar pra que? | Nelton Friedrich

Olá, minha gente! 
Você sabia, que no Paraná e mais ainda Curitiba, na década de 1950, viviam constantes apagões? Faltava luz elétrica, faltava energia.

Nesse sentido, você já parou para pensar o significado que tem a Copel na vida dos paranaenses? Principalmente agora, que nós estamos entrando no campo das energias renováveis e não só a hidroeletricidade.

Mas eu poderia apontar para outro campo que na verdade está em pleno processo de desenvolvimento que é o campo da inteligência artificial das revoluções tecnológica a partir da internet. Diante de tudo isso, qual o papel que a Copel poderia ter? 

Vou comentar sobre isso:

Pouca gente do Paraná sabe, mas o nosso Estado vivia um grande problema no início da década de 1950 que era a ausência de energia elétrica, aqui na capital. Por exemplo, tínhamos um problema gravíssimo. Quase todo dia tinha apagão. Na época havia uma empresa chamada Força e Luz do Paraná que, na verdade, era uma empresa estrangeira que não tinha o desejo de expandir a geração de energia para as outras regiões do Estado por serem regiões inóspitas. Por exemplo, no Oeste do Paraná, até a metade da década de 70, muitas cidades só tinham energia através do gerador movido a diesel, aquele equipamento que às dez da noite parava de funcionar para voltar apenas no outro dia pela manhã.

Em outras palavras, gostaria de dizer que nós vivíamos no Brasil uma grave e desafiadora situação. Empresas estrangeiras dominando a distribuição de geração e distribuição de energia mas com a necessidade de ir para o interior, ampliando assim as cidades alcançadas e o potencial energético.

Fazendo um breve resumo da história, na época o Presidente Getúlio Vargas propôs criar a Eletrobrás.  Desta forma, o Brasil teria uma empresa nacional com capacidade entrar de maneira intensa nesta questão de geração e distribuição de energia. E o que aconteceu?  A Câmara dos Deputados e o Senado não aprovaram a proposta à época.

Incrível! (…)

A Eletrobrás só iria vir a acontecer em 1962, com João Goulart. Mas antes, Getúlio Vargas, com o pensamento desenvolvimentista que o definia, propôs criar um fundo de energia e com isso estimulou a geração da energia por parte de brasileiros. Justamente neste ponto surgem as empresas estaduais/estatais de energia como a Copel.

Podemos verificar que Copel, Furnas, assim como outras empresas desta segmentação surgiram na mesma época para serem geradoras de energia. Portanto, isso nos deu a capacidade de construir no Brasil uma coisa fantástica: como dominar, como poucos países dominam, o “know-how” da hidroeletricidade.

Tanto isso é verdade que hoje somos um dos países que tem a produção de muitos componentes que alimentam o crescimento e a manutenção de toda a cadeia deste setor de geração, transmissão e distribuição.

No nosso caso, a Copel deu no que deu: excelência em geração de energia, além de ser uma das mais importantes empresas estatais do país, reconhecida não só no Brasil, mas também na América Latina e no mundo. Tanto é verdade que entre seus ativos a Copel conta com a venda de inteligência e conhecimento no que diz respeito aos estudos de potencialidade energética e também de construção.

Por mais que seja uma empresa de economia mista, ela ainda tem um necessário componente de ser do povo paranaense, e com isso afirmo que a Copel precisa de um banho de “paranismo”; a Copel precisa de um banho não só nos seus objetivos como também nas suas direções.

Quero me reportar dizendo que fui Secretário Estadual do Governo José Richa, o bom e velho Richa, de 1983 a 1986. Nesta época fizemos o maior programa de eletrificação na América Latina, pois o campo vivia às escuras, não havia luz e não havia energia elétrica. Nesta oportunidade a Copel levou luz para o interior atendendo mais de 123 mil propriedades rurais. Fez isso porque era estatal, porque era um serviço público.

A iniciativa privada, que na maioria das vezes tem como objetivo imediato o lucro, não tem por natureza investir em algo que não resultará nisso. Nesse sentido uma empresa privada jamais levaria energia para o campo. O mesmo pensamento pode ser feito para outras áreas, como o saneamento. É sabido que não são mais do que 50 cidades no estado que dão o grande lucro da empresa Sanepar. Por isso, a mentalidade de uma empresa estatal é muito mais aprimorada, pois além do lucro, busca levar serviços para comunidades menores e, portanto levar desenvolvimento e inclusão a todos.

É preciso relembrar o movimento contra a venda da Copel na década de 90 (até hoje, de tempos em tempos estes ares voltam a rondar a empresa), onde era dito aos quatro ventos pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso que a privatização era a solução para enfrentar a dívida pública brasileira. Diziam: “Privatiza, privatiza. É necessário privatizar para tirar o Brasil do buraco da dívida pública”. E qual o resultado disso? O resultado das privatizações está aí. Nunca ouve uma dívida pública tão acentuada quanto no governo FHC. Contraditório, não é mesmo? Nós levantamos esse movimento, lembro muito bem, pois estávamos na coordenação e foi fundamental para que a Copel não fosse vendida.

O que está sendo posto hoje é que a Copel –  que representa excelência na área de energia e comunicação –  está necessitando de um banho de pararanismo. Ou seja, que promova de fato os interesses da população paranaense. Digo isso pois essa discussão na maioria das vezes é muito superficial. As pessoas saem dizendo por aí: “é estatal, é estatal… estatal não presta por isso, por aquilo”. Aí eu pergunto: “Como é que chegamos ao nível de cobertura em energia no Estado”? Simples, “porque tinha uma empresa estatal disposta a apoiar o desenvolvimento da população”.

Nesta linha, podemos fazer um exercício de raciocínio e nos perguntar o que significa o Banco do Brasil no desenvolvimento do país, bem como a Caixa Econômica Federal, os Correios, a Petrobrás, e tantas outras que que poderia citar. E esta avidez por vender irá comprometer justamente as empresas que, em atendendo os interesses do país, no seu desenvolvimento, no fomento em geral ainda são capazes de gerar lucro.

Aqui no Paraná é preciso fazermos uma reflexão e analisar. Neste momento estamos tentando vender a chamada Copel Telecom. Ora, a Copel, enquanto grande empresa, tem a necessidade de gerar tecnologia para continuar seu crescimento. Aos poucos foi investindo, criando novas soluções, rompendo barreiras, até que chegou na Copel Teleco: ferramenta paranaense que tem o potencial de levar aos 399 municípios internet banda larga de altíssima qualidade. 

Ainda gostaria de chamar a atenção para uma característica histórica das nossas privatizações: “Quem é que compra as nossas empresas?”, respondo: “São estatais chinesas, estatais espanholas, estatais dinamarquesas.” Ora, então uma estatal estrangeira é boa para gerir nossos recursos estratégicos e para nós a estatal brasileira não serve. De onde vem esse raciocínio?

Até quando iremos manter esse pensamento esdrúxulo? 

Na verdade, precisamos entender para que e para quem servem as estatais. Observe… nenhum país do mundo, eu digo NENHUM, se desenvolveu sem ter um projeto nacional, sem ter uma proposta de desenvolvimento, sem ter a ideia de um mercado interno e a compreensão de que o capital se faz em casa. É ilusão pensar que o capital virá de fora. 

O capital estrangeiro é muito volátil, pois tem ideias muito imediatas e a qualquer momento fecha a fábrica, a qualquer momento abandona o território estranho e em um estalar dedos irá especular em outro local da especulação financeira. Simples assim.

Vamos fazer uma análise.  A China é o que é hoje e tem aproximadamente 153 mil estatais. Chegaram à conclusão que era necessário ter estatais com a exclusiva tarefa de dar mais segurança à economia chinesa. Mas você poderia me dizer: “Nelton… Falar da China é fácil, hoje a China é uma grande potência”. É fato. Tanto que investe todo dinheiro que pode no Brasil, comprando nossas estatais inclusive. Pois bem… Para além de tudo isso que falei da China, eu poderia citar a Alemanha, que possui mais de 15 mil estatais, mas alguém poderia me dizer: “Mas veja o exemplo dos Estados Unidos”. Estados Unidos? Os Estados Unidos possuem mais de sete mil estatais, tanto localizadas no governo central, como nos equivalentes a estados e municípios do Brasil: sete mil.

Então eu diria que hoje se vive ao contrário no Brasil. Este processo que é colocado como salvação da pátria na verdade é uma entrega da autonomia e da soberania brasileira, para além disso estamos entregando para estrangeiros a possibilidade de continuarmos investindo no desenvolvimento da nossa população de do nosso território.

A desestatização não é um processo patriótico. Patriótica é a estatização a serviço da sociedade:  é o público que precisa ser atendido; é controle público que precisa vigorar nestas empresas estatais. Deixar claro às pessoas quem serve uma empresa estatal? A quem serve um governador? A quem serve um político?

É esta a questão básica da própria política. Um politico se serve do poder, da política, e do status, para ganhar, para obter vantagens, buscar um ou outro benefício próprio? Ou ele está lá para servir? Para ser um servidor? Servir-se ou servir?

Voltando ao ponto que estamos tratando agora, que é a questão da Copel Telecom. Acredito ser um atentado ao futuro do Paraná esta privatização pelas seguintes questões: na evolução das casas e das famílias nas décadas de 1950 e 1960 a energia elétrica já era parte indissociável do cotidiano. Ninguém mais vivia sem energia naquele tempo. 

Transpondo para os dias atuais aquele situação, imagine o papel da Copel Telecom no que diz respeito às energias renováveis e no auxílio ao desenvolvimento de novas tecnologias para atender o Estado, além de poder levar internet de alta qualidade a todos os hospitais, escolas estaduais, escolas municipais. Imagine o papel da Copel Telecom levando conectividade ao produtor rural, seja ele pequeno, médio e grande. Podemos, com a Copel Telecom, ser referência na nação e na América Latina, ao ser a primeira região a atender com conectividade de alto nível – ou seja, internet de alta qualidade a todos os aparelhos públicos, todas as propriedades rurais e todos os paranaenses. “Excelência brasileira em banda larga”, slogan da própria Copel Telecom.

Por isso, senhor governador e povo paranaense… nós temos que levantar a bandeira da Copel Telecom, pois a  internet hoje – assim como a energia elétrica no passado -, é parte indissociável das nossas vidas e está em quase todos os elementos do nosso cotidiano.

A internet é hoje o motor da revolução tecnológica proporcionada pelas tecnologias 4.0, Inteligência artificial, esse é um mundo novo, um mundo maior.

Neste momento nós temos que, ao contrário de vender, ter a Copel Telecom como matriz tecnológica e como verdadeira força motriz para inovação tecnológica. Precisamos ter a Copel Telecom como chave para o bem-estar da população, para o desenvolvimento social e para o progresso econômico do Paraná. Precisamos, portanto, ter a Copel Telecom como garantidora do Paraná do Século XXI.

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