16.8 C
Curitiba
quarta-feira, 03, março, 2021 | 11:56:39 AM

O retorno da Jedi: férias, livros, séries, Biarticulando 2021, o duque e, claro… Bridgerton

Findaram-se as férias desta que vos escreve, a mestre em Administração que preferiria ser Jedi. Foram dias de dolce far niente, encontros memoráveis, produção de melanina e síntese de Vitamina D em altas doses. Além disso, muitos filmes, séries, Biarticulando em processo de ficar vitaminado, leitura e releitura de livros. No campo dos revivals, reli Memória de Minhas Putas Tristes, do sensacional Gabriel García Márquez. Já nos autores que levarei para a vida acadêmica, que começa em breve, devorei o “Dilema da Inovação – Quando as novas tecnologias levam empresas ao fracasso”, de Clayton M. Christensen. Apesar de escrito originalmente em 1997, o livro é necessário e atualíssimo.

No que tange o Biarticulando, algumas mudanças ocorrerão, conforme conversa  com os chegados responsáveis.  Porém, nada de preocupante. Apenas ampliaremos o alcance para o estado. (Ninguém por aqui se tornou celibatário nem fez voto de pobreza.) A linha editorial permanecerá a mesma… Progressista, democrática, pluralista, baseada na ciência e preceitos iluministas, com o intuito de combater a ignorância, a intolerância e o negacionismo, tão vigentes no Brasil e no Paraná de hoje, infelizmente. 

Na seara do streaming, consumi bastante coisa interessante, das mais variadas fontes: Prime, HBO Go, Netflix e o badalado Disney Plus (vejam Soul!).

E mesmo com tanta opção boa, a série do verão, pelo menos quando aferida pelas menções  nas redes, foi Bridgerton, do Netflix. Para o bem e para o mal…

Afinal, há quem a chame de Malhação da realeza… há quem critique a escalação de um elenco com vários atores negros interpretando membros da nobreza e há quem fale que se trata de uma versão soft e de época do péssimo e erótico 365, também do Netflix. Porém, se existe algo que une – do cristão ao ateu – toda a audiência da série, é a beleza do duque.

Interpretado pelo ator inglês Regé-Jean Page, o duque de Hastings, personagem central da trama, possui “dad issues” e fobia a compromissos mas, ainda assim, quebrou a internet com suas aparições na tela. De fato, Page foi agraciado com muitos atributos físicos, mas também exala sensualidade, sem forçar nada.

Se a cena na qual ele degusta um pudim já viralizou em forma de GIF, as tomadas repletas de sexo entre ele e a “patroa” também fizeram a fama da obra. Nada que se assemelhe a 365, mas tudo muito bem dirigido, coreografado e caliente. O moço é guapo, indo e vindo.

No rol das polêmicas envolvendo Bridgerton, constam duas. A primeira se dá pela escalação de atores negros, o que segundo seus críticos, causa imprecisão histórica. Esta prática tem nome. Chama-se color-blind casting e, de acordo com sua definição oficial, trata-se de uma escalação que não considera a raça dos atores, pois o foco  principal é o talento do profissional. Essa escolha não é unânime, mas é preciso levar em conta alguns fatores aqui: certos historiadores relatam que a rainha Charlotte da série realmente possuía ascendência africana; trata-se de uma obra ficcional e com liberdade criativa e a produtora da série é ninguém menos que Shonda Rhimes, a mega poderosa  criadora de sucessos estrondosos como Grey’s Anatomy, Scandal e How To Get Away With Murder. O que todas estas obras têm em comum além de nos deixar adictos? Personagens negros bem construídos e sucedidos e protagonistas das tramas.

A segunda polêmica acontece no episódio 6, em uma cena que já foi controversa no livro. A duquesa força uma situação sexual com o duque – não posso escrever mais para não dar “spoilers” – , de forma que alguns críticos apontaram a falta de um aviso prévio do Netflix alertando sobre o suposto “abuso”. Na minha opinião, há contexto para o ocorrido, mas ainda assim faltou consentimento. Enfim, uma legenda prévia no episódio preservaria a produção de ser “gongada”.

Dito tudo isso, a série cumpre seu papel e transcende a alcunha de obra de época. Afinal, mesmo narrando a trajetória das famílias nobres da Inglaterra do século 19, cujo objetivo maior era casar as filhas com abastados cidadãos – quase que como um balcão casamenteiro – a série possui frescor na fotografia, figurinos riquíssimos e trilha sonora que traz músicas atuais em arranjos belíssimos de cordas.

Outro ponto alto, no meu entender, é o discurso feminista que certas personagens possuem e que questionam o status quo da mulher na época. Entre eles: por que é preciso se contentar com casamento e filhos e não se pode almejar a entrada em uma universidade?

Enfim, Bridgerton tem suas qualidades, justamente por ser não convencional. Se ainda estiver resistente em ver, um conselho: vá pela beleza do duque, permaneça pelo conjunto da obra.

FAÇA UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Paranaenses participam de esforço nacional de debates sobre dia do trabalho

O dia internacional do trabalho é um marco que referencia a luta da classe trabalhadora em todo o mundo....

A escavação

Em 1926, um aristocrático casal inglês, Frank e Edith Pretty, adquiriu uma propriedade rural com estranhas formações...

O tigre branco

Com delay de 72 horas, o texto desta semana sai na segunda, por motivos de agenda e...

Filho feio não tem pai

Liberais ignoram a realidade para não se responsabilizarem pelo nosso desastre econômico Recentemente, a economista Zeina Latif publicou um...

Realidade Imposta: as revelações trazidas à tona pela pandemia.

A pandemia do novo coronavírus, que já vitimou mais de 230 mil brasileiras e brasileiros, escancarou diversas facetas outrora não percebidas ou...
1,172FansLike
34FollowersFollow
300SubscribersSubscribe
Curitiba
nuvens quebradas
16.8 ° C
17 °
16.7 °
100 %
2.1kmh
75 %
sáb
25 °
dom
22 °
seg
28 °
ter
28 °
qua
26 °

Artigos Relacionados