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terça-feira, 20, abril, 2021 | 02:18:00 PM

O som do silêncio

“O Som do Silêncio”, produção do Amazon Studios e disponível via streaming no Prime Video, vai te prender tanto pelo conteúdo quanto pela forma. Afinal, o diretor e roteirista estreante Darius Marder foi muito feliz na escolha de editar o som sob a perspectiva do personagem principal.

Explico…  o filme trata do processo de perda auditiva do protagonista, repentinamente. A sinopse dá a letra: “O baterista e ex-viciado Ruben começa a perder a audição. Quando um médico lhe diz que seu estado vai piorar, ele pensa que sua vida e carreira acabaram. Sua namorada, Lou, o leva para um lar de reabilitação para surdos a fim de evitar uma recaída e ajudá-lo a se adaptar à nova vida. Depois de ser bem recebido e aceito como é, Ruben deve escolher entre seu novo normal ou a vida como conhecia.”

A película então acompanha a trajetória deste músico, interpretado pelo ator Riz Ahmed (que também viveu o intrépido piloto Bodhi Rook em “Rogue One”, da saga Star Wars), desde o início dos sintomas até a perda quase total da audição. Excelente no papel a ponto de concorrer ao Oscar 2021 de Melhor Ator, Ahmed já fez história, visto ser o primeiro ator muçulmano a ser indicado na categoria.

No bojo desta indicação, “O Som do Silêncio” também concorre como Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Som, Melhor Edição e Melhor Ator Coadjuvante para Paul Raci, que interpreta Joe, o líder de uma comunidade para surdos, na qual nosso protagonista busca apoio e aprendizado para a nova vida que se apresenta.

E mesmo quem ficou de fora da lista, merece menção honrosa pela performance. Caso de Olivia Cooke, na pele da namorada Lou. A atriz de 26 anos entrega uma atuação digna de nota.

Enfim, o filme é simplesmente primoroso. Seja do posto de vista técnico – quando a modulação de sons do cotidiano, tais como a batida de um liquidificador ou uma cafeteira ligada acompanham a decadência auditiva de Ruben e dão ao espectador a agonizante sensação de perder a escuta gradativamente -, a atuações vigorosas -graças também a  um elenco escalado a partir de pessoas com deficiências que interpretam nas telas -, “O Som do Silêncio”, além de emocionar, traz reflexões importantes sobre aceitação e adaptação a novas realidades.

Diante de tantos pontos positivos, espero que a película da Amazon seja lembrada no Oscar. Mesmo sendo fã de Gary Oldman e seu trabalho em “Mank” gostaria de ver Ahmed triunfar na noite da premiação, visto que, além de ter aprendido a linguagem de sinais e a tocar bateria para o papel, ele soube transmitir toda a impotência e desespero de seu personagem, Ruben, apenas com o olhar, na maioria das cenas. Trabalho magistral. Porém, acho que a noite vai ser de Chadwick Boseman. Prêmio póstumo cheio de significados e igualmente merecido. 

Porém, mesmo diante da imprevisibilidade de Hollywood, “O Som do Silêncio” possui méritos suficientes para ser lembrada como uma obra significativa e marcante.

Recomendo… muito.

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