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sábado, 31, outubro, 2020 | 07:45:01 AM

#TURMABOA – Setembro e a Semana da Pátria

A data, sete de setembro, marca um fato histórico muito importante para nós brasileiros, foi neste dia no ano de 1822, às margens do Rio Ipiranga em São Paulo, onde foi declarada a independência do Brasil de Portugal. Rompendo a relação de nação subserviente para se tornar nação livre.

Uma iniciativa da “Turma Boa”, apelido carinhosamente dado pelo ex-ministro Ciro Gomes aos apoiadores e defensores da corrente de pensamento trabalhista no Brasil, elencou através de levantamento da história brasileira, personagens importantes, que tiveram participações marcantes na construção do nosso legado como nação.

Veiculada nas redes sociais da Turma Boa, esta iniciativa foi denominada de “Setembro e a semana da pátria – sete dias, sete patriotas, um por dia”. Como o próprio nome já diz, visa promover uma contagem regressiva de uma semana, destacando “dia-a-dia” uma destas figuras tão importantes para o Brasil.

Os patriotas elencados foram, Zumbi dos Palmares, Joaquim José da Silva Xavier – Tiradentes, o indígena Sepé Tiaraju, José Bonifácio de Andrada e Silva, a heroína da pátria Maria Quitéria, Marechal Cândido Rondon, Leonel de Moura Brizola e Getúlio Vargas. Mas espere! São oito? Um dos idealizadores da iniciativa que preferiu não identificar nos explicou, “nós selecionamos sete, um por dia, e um bônus no dia 6 de setembro que é o Leonel Brizola, pois é também a data que ele retorna do exílio para o Brasil”.

Desta forma, em clima de conscientização a iniciativa se desenvolveu. Confira abaixo a reprodução de cada publicação:

Zumbi dos Palmares

Você sabia que em 21 de março de 1997 Zumbi dos Palmares (1655-1695) foi incluído na galeria dos heróis nacionais? Esse título é concedido a pessoas cujos nomes foram aprovados para constar no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, recebendo assim o título de Herói da Pátria, Herói Nacional.Nascido no ano de 1655, livre, já no Quilombo que faz alusão ao seu próprio nome (Palmares), Zumbi, que significa fantasma ou espírito, no idioma africano quimbundo, e na concepção brasileira da palavra, guerreiro; foi um símbolo da resistência negra ao trabalho escravo no período do Brasil Colônia.Salve Zumbi!

Joaquim José da Silva Xavier – Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, é o maior mártir da independência do Brasil. Participou ativamente dos preparativos do movimento insurrecional chamado Inconfidência Mineira, um de seus principais líderes até sua captura e execução.Tiradentes atuou politicamente com os setores mais avançados da sociedade (intelectuais, militares, trabalhadores da mineração, proprietários rurais e comerciantes locais), reunindo os mais profundos valores de liberdade e emancipação do povo brasileiro.Influenciado pela independência dos EUA, o programa de Inconfidência Mineira era mais profundo: incluía a abolição da escravatura, o que significava igualdade social e expropriação de grandes proprietários de terra.O movimento foi traído por um de seus integrantes, Silvério dos Reis. O vice-rei ordenou uma violenta repressão, onde muitos líderes foram presos, torturados e mortos, entre eles o Mártir Tiradentes.Até hoje, o ódio da oligarquia em Tiradentes é tão violento que mentiras e omissões continuam em torno de seu papel naquele primeiro grande movimento de libertação nacional.

Sepé Tiaraju

Nascido em um dos aldeamentos jesuíticos dos Sete Povos das Missões, também conhecido como Sepé, por ser um bom combatente e estrategista tornou-se líder dos guerreiros indígenas que atuaram contra as tropas luso-brasileira e espanhola na chamada Guerra Guaranítica.Tiaraju transformou-se num autêntico guerreiro, chamando para si a responsabilidade da defesa do povo guarani, da cobiça e do egoísmo dos Espanhóis e Portugueses, pela posse da terra. Em uma carta, a ele atribuída, dirigida ao governo espanhol ele escreveu: “Nossa riqueza é a nossa liberdade. Esta terra tem dono e não é nem português nem espanhol, mas Guarani”.Por seu feito, Sepé Tiaraju, é considerado Herói da Pátria, mas também considerado Santo popular, virou personagem lendário do Rio Grande do Sul e dos Povos Nativos da América Latina, sua memória ficou registrada na literatura por Basílio da Gama no poema épico O Uruguai (1769) e por Érico Veríssimo no romance ‘O Tempo e o Vento’.

José Bonifácio de Andrada e Silva

Em 13 de junho de 1763 nasceu em Santos o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva. “Sem independência não há para as nações nem constituição, nem liberdade, nem pátria”. O Brasil teria alcançado sua independência de fato, não só de direito, se tivesse, desde 1822, realizado o projeto nacional de José Bonifácio. Esse projeto tinha por objetivo nos transformar na “China do novo mundo” (nas palavras do Patriarca), um Império pujante, auto-centrado e auto-confiante, “uma só nação homogênea e igualmente feliz”. Consistia em fazer, através de um Estado centralizado e eficaz em todo o território: a abolição da escravidão; a reforma agrária em benefício dos mais pobres; a educação de negros, índios, mestiços e mulheres; a melhoria das condições materiais de vida dos mais pobres; o estímulo à miscigenação e aos casamentos inter-raciais; o desenvolvimento da indústria nacional a partir da agricultura, elevando o patamar tecnológico do país em todos os níveis de produção, de maneira social e ambientalmente sustentável; o desenvolvimento da infraestrutura e das ciências; a autonomia do país em relação ao comércio e sobretudo às finanças, impedindo que o governo e a sociedade fossem capturados e controlados por comerciantes e financistas; o desenvolvimento de uma força militar terrestre e naval compatível com a grandeza do Brasil e sua enorme necessidade de auto-defesa. Infelizmente, esse projeto até hoje não conseguiu ser realizado.

Maria Quitéria de Jesus Medeiros

Quando um guerreiro morre, outros nascem para empunhar sua bandeira e suas armas, e assim a roda da História não para de girar. Pois, no ano de 1792, enquanto Tiradentes era enforcado por liderar o movimento da Inconfidência Mineira, pela Independência do Brasil, estava em gestação no ventre de Quitéria Maria de Jesus, a menina que se imortalizaria por levantar com altivez a bandeira do “Libertas Quae Saera Tamen” e empunhar com bravura as armas que garantiriam o fim de três séculos de dominação portuguesa sobre a terra e o povo brasileiros.Maria Quitéria de Jesus Medeiros nasceu no dia 27 de julho de 1792, no interior da Bahia. A menina gostava de correr por aqueles longos campos que circundavam a casa da família e cedo aprendeu a montar. Aos nove anos de idade, perdeu a mãe e ficou com menos tempo livre, pois precisava cuidar dos irmãos menores. Mas, logo que eles foram crescendo, voltou às cavalgadas, caçadas, enfim, à vida livre do campo.Mas sua madrasta, Maria Rosa de Brito, não gostava do comportamento da jovem, que considerava próprio de rapazes, e a manteve presa em casa o máximo possível, tornando-a administradora do lar e de três crianças que teve. Ela nada tinha de masculinizada. Era muito bonita, despertava a atenção dos rapazes, mas resistia em namorar, pois, conforme os costumes da época, isso significava casamento rápido, e fim da liberdade, pois a mulher era esposa, mãe e dona de casa; não podia sequer participar das conversas na sala, lugar de homens. Maria Quitéria ansiava por liberdade.Chega a hora da libertação!Maria Quitéria viu na guerra da independência uma oportunidade ímpar de contribuir com a libertação do Brasil e promover a própria independência. “…Aqui, luta-se pela vida, pela nossa Cachoeira, pela Pátria. Mas luto também por mim, para libertar Maria Quitéria de Jesus Medeiros da tirania paterna, dos sofridos afazeres domésticos, da vida insossa…”.Mas mulheres não podiam se engajar no Exército. Não satisfeita ela pegou as roupas do cunhado, cortou o cabelo e partiu. Nascia assim o “soldado Medeiros”, que se alistou no Regimento de artilharia e logo demonstrou sua habilidade em montar, manejar armas e sua ausência de medo. Foram muitas batalhas nas quais a valentia da heroína falou alto e impôs respeito aos homens tanto em relação a ela como às demais mulheres engajadas. Na batalha de Cachoeira, a entrada no rio foi uma tática para atrair as tropas portuguesas para a luta na água. “…Ah! Eu combato com água no nível dos peitos pela libertação da pátria e pela libertação da mulher que haverá de surgir… Minha baioneta rasga o ventre de um português que não quer reconhecer a independência do Brasil….”.Condecoração!O imperador ao pôr a condecoração em Maria Quitéria ele diz: – Parabéns, a senhora é uma heroína. A Pátria lhe será eterna devedora. – Cumpri apenas o meu dever de brasileira, responde ela. Salve Maria Quitéria, heroína da Pátria, uma mulher a frente do seu tempo, como toda revolucionária!

Marechal Cândido Rondon

Nascido no Mato Grosso, em 1865, Cândido Mariano da Silva Rondon, e falecido no Rio de Janeiro em 1958. Engenheiro militar, participou da Proclamação da República e é o Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro no qual chegou ao posto de Marechal. Sertanista, cumpriu missões no Mato Grosso e na Amazônia ocidental, contribuindo para a integração pacífica das populações indígenas à sociedade nacional. Na relação com os índios, seu lema era: Morrer se preciso. Matar, nunca. Rondon tinha ascendência indígena por parte de pai e de mãe – Bororo e Terena, e foi fundador e o primeiro presidente do Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Seu nome foi indicado pelo físico Albert Einstein ao Comitê do Nobel em Oslo, Noruega, para o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho com os indígenas do Brasil. Marechal Rondon batiza cidades em vários estados brasileiros, aeroportos e rodovias. Recentemente o jornalista norte-americano Larry Rohter publicou uma completa biografia do Marechal Rondon já traduzida para o português. O nome de Rondon merece ser sempre lembrado pela dedicação à Pátria e aos índios brasileiros.Salve Cândido Rondon Herói da Pátria!

Leonel de Moura Brizola

Leonel de Moura Brizola foi o político que participou de forma mais ativa na defesa da Causa Nacional, protagonizando a campanha da legalidade, resistência ao golpe Civil e Militar, na luta pela Anistia e na luta pela democracia. Sempre lutou pelo Trabalhismo, herança de Getúlio Vargas, mas também pela educação brasileira. Governou dois estados, o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, sendo o único político até o presente momento a governar dois estados. Juntamente com o antropólogo Darcy Ribeiro implantou um projeto de ensino integral no Estado do Rio de Janeiro, construindo 506 novas escolas, os Centros Integrados de Educação Pública – Cieps, mas antes já tinha uma marca histórica de 6500 escolas construidas no Rio Grande do Sul, as famosas “brizoletas”.Mas Brizola foi ainda mais: aos que não tinham onde morar, Brizola foi lotes e casas. Aos que não sabiam ler e escrever, foi escolarização. Aos que não tinham onde plantar, foi Reforma Agrária. Aos que não tinham energia, foi hidrelétrica e termoelétrica e foi encampação. Aos que não tinham água potável foi saneamento básico. Aos que não tinham caminhos, foi estradas e pontes. Aos que não tinham como se locomover, foi melhoria do trasporte público. Aos que não tinham lazer, foi praças e parques. Para os distantes da cultura, foi a avenida do samba. Para quem viu sua cidade dividida, foi avenidas unificadoras. Para quem não tinha profissão, foi universidade. Aos que não tinham investimentos, foi bancos para construir o capital nacional, aos que não tinham esperança, foi presente e futuro!Brizola foi sem dúvida, um Herói da Pátria!

Getúlio Vargas

Discurso de Getúlio Vargas (ainda vigente) do dia 07 de setembro de 1936.Trabalhadores do Brasil:(…) “A independência econômica não se adquire necessariamente com a independência política: é tarefa lenta e difícil, que se arrasta por muitos decênios, que às vezes se retarda por séculos e cujo êxito final depende de inúmero fatores, alguns imprevisíveis, outros condicionados aos fenômenos gerais da organização mundial. A independência política é um ato de força, que se prepara como revolução e que se concretiza num instante decisivo, criando uma nova ordem jurídica e traçando sobre o mapa continental os limites de uma nova soberania. Uma vez conquistada, ela se impõe como fato e como direito e os seus efeitos perduram, desde que o povo, que se fez independente, saiba conservar o bem que adquiriu. A independência econômica delimita o bem estar, a felicidade, os confortos indispensáveis, a fecundidade do trabalho e aquele princípio equitativo que aconselha uma gradativa e proporcional distribuição de riqueza e dos bens materiais. A bem dizer, a independência econômica não tem um dia decisivo de ultimar-se, não pode fixar-se numa data histórica, como a independência política, que hoje celebramos com o mesmo orgulho e mesmo entusiasmo com que temos feito já cerca de cento e trinta anos. A independência econômica para sustentá-la, para consolidá-la e para dilatá-la, é preciso manter sempre aceso o fogo sagrado e vigilante do nosso patriotismo e do nosso devotamento à uma causa pública. Para isso é necessário aproximar-se do povo, auscultar-lhe as aspirações profundas, sentir-lhe a miséria, o sofrimento, o clamor de desespero que se levanta das camadas desfavorecidas da fortuna, acompanhar de perto os reclamos da subsistência individual, penetrar nas crises profissionais e domésticas, ouvir os apelos que saem dos lares, das oficinas, das fábricas, das escolas, das fazendas e dos campos; procurar resolver as crises, melhorar as condições de vida, aumentar o conforto e a assistência aos que trabalham, proporcionar a todos os homens padrões mais altos de existência e igualdade de oportunidade na luta pelo pão cotidiano – essa a grande e primordial missão de todos os governos.E fazendo isso, estamos construindo lentamente a independência econômica e lutando contra os seus principais inimigos, que são o imperialismo, na esfera internacional, e a exploração do homem pelo homem, no meio interno.”

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