Uma lupa chamada coronavírus, no reino pandêmico da ironia

Por Alexandre Martins

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Fatos.
Perguntas.
Factoides.
Retalhos.

Uma lupa chamada coronavírus, no reino pandêmico da ironia.

– Inglaterra bancando até 80% do salário dos working class heroes.
– EUA no maior pacote real de autoajuda da história, US$2 trilhões para os pobres self-made men.
– Desgoverno Bolsonaro atrasado, há memes-luz de distância na prevenção do caos causado pela gripezinha.
– Empreendedores pejotizados em sacrifício mítico, a mando da carreata dos limpinhos, a mando de mega empresários caricatos e quiçá tombados como patrimônio folclórico.
– Mega empresários forjados no capital especulativo, baseado em alavancagem, com lastro na terra do nunca.
– A mão invisível do mercado, de luva porque tem nojinho, pedindo arrego pra mão visível do Estado.

– Já procurou saber quem bancou a campanha que elegeu Bolsonaro?
– Por que mega empresários estão desesperados?
– Por que qualquer crise os faz tremer?
– Por que suas empresas valem muito, e mesmo assim eles dizem não ter como honrar compromissos?
– 3 opções principais se apresentam em números grosseiros para função retórica.
a) 20% das pessoas nas ruas, apenas para serviços essenciais.
b) 90% das pessoas nas ruas, menos os idosos.
c) apenas cidadãos de bem, com histórico de atleta e trabalhadores de casas lotéricas blindadas.
– Em qual das situações haveria maior probabilidade de transmissão da gripezinha?
– Em qual das situações os trabalhadores de serviços essenciais estariam menos expostos ao risco de contaminação?
– Em qual das situações a aposta na vida se faria presente?
– Em qual das situações se apostaria no status quo, agora tão distante? Qual o risco? Quem estaria se sacrificando?
– Melhor pecar pelo desleixo ou pelo excesso de cautela?
– Quem da sua família pode morrer para que a loja de uísque não pare?
Coach trabalha com crise?

– Diariamente o desgoverno dos ressentidos rasga a constituição cidadã com uma faca factoide.
– Diariamente o desgoverno dos toscos aposta no maniqueísmo como alavanca do medo, hoje na justa figura do fantasma do desemprego.
– A morte por desemprego é remota, a morte por coronavírus está na esquina e ri da meritocracia.
– Sobrevivemos por milênios sem a existência das formas atuais de ordem econômica. Logo estaremos baixando o i-Escambo.
– Bolsonaro não enxerga indigências, pois vive no mundo dos desejos.
– Desejos são sedentos, ansiosos e têm torcida organizada.
– Bolsonaro trabalha sobre os desejos de uma plateia infantiloide, o receptáculo do populismo eletrônico.
– Desejo que aponta desafetos até dentro de casa, como Steve Banon ensinou, e muitos mordem a isca das declarações bumerangue.
– Desejo que desacredita a imprensa, como Steve Banon ensinou, e cria novos inimigos imaginários para uma situação ganha-ganha. Nem Epicuro explica.
– Desejo que seduz audiência fiel, como Steve Banon ensinou, por meio de declarações fictícias, pois o inusitado atrai.

Por fim, retalhos pequenos de todos nós:

-Quando se referem a vidas humanas, é gripezinha! Quando se referem a numerário$, é pandemia!
-Sem indústria, educação e ciência, o que toma conta é financeirização massiva, commodities e terraplanismo.
-Um CNPJ é composto de N CPFs, CPF cancelado só dá lucro pra funerária!

Na Universidade Zap Zap, fatos são criptonita, perguntas são ofensa, factoides são areia movediça e retalhos são o pagamento.

Cuide de quem está perto, ajude quem está longe, espante o tédio e tenha uma quarentena questionadora.

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