Vanessa Antonelli Rossetto | Minimalismo e Soberania

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Toda esta situação que o mundo está passando tem uma causa, o consumo desenfreado de animais. Não importa se são galinhas (que causam a gripe aviária), porcos (que causam a gripe suína), gado (que causa a vaca louca) ou tatus (que nos trouxeram o covid), o que importa é que são animais, confinados, em espaços minúsculos, com higiene duvidosa que nos trouxeram mais esta péssima notícia, o vírus do COVID-19.

Como já dizia Marx, o capitalismo desenfreado tomou um tombo do seu próprio modo de ser. O mercado está muito menor por conta de todo o isolamento social e do fechamento de muitos estabelecimentos, o que gera uma grande queda na circulação de capital, modo operante do capitalismo.

Com toda esta pandemia assolando o globo terrestre inteiro, surge uma esperança de que a população mundial desperte para uma vida mais simples, frugal, uma vida “minimalista”. Minimalismo é um conceito que está em alta há alguns anos, inclusive tem até um documentário sobre ele no Netflix, e vai justamente na contra mão do que o capitalismo prega.

Não precisamos de muitas coisas para sobreviver, viver e ser feliz. A vida é feita de pequenas e simples escolhas, independente de preço ou conforto, você pode escolher aquela que mais lhe agrada, mas não precisa ter 20 modelos do mesmo item, já que você é uma única pessoa.

O minimalismo nos mostra que é possível usar a mesma roupa, o mesmo sapato, a mesma bolsa, o mesmo carro, a mesma mobília, por muitos anos, até que as mesmas percam a sua utilidade por desgaste e não por “modinha”.

O planeta não tem recursos para suprir tantos desejos insaciáveis de quase 8 bilhões de humanos. Até porque, como dizia Freud, o desejo quando é satisfeito, logo dá lugar a outro, portanto, é um looping infinito. Lógico que são os desejos que nos movem, sem eles não teríamos motivos para levantar da cama. Porém, o que devemos repensar neste momento é: por quais desejos eu tenho me movido?

Não é possível que a nossa vida seja guiada somente por um novo eletrodoméstico, um apartamento maior ou um carro mais luxuoso. Não há como continuar pensando desta forma depois de tudo que estamos vivendo. Acredito que o vírus e a pandemia nos despertaram para a importância daquilo que não se compra com dinheiro. A importância da nossa saúde, do nosso bem estar físico, mental e emocional, das nossas relações familiares e sociais e da nossa natureza e meio ambiente.

Devemos investir muito dinheiro nestes itens básicos, primordiais, indispensáveis para a vida do ser humano. O que seria de nós sem os nossos alimentos, de preferência limpos, saudáveis, orgânicos? O que seria de nós sem a nossa água, limpa, potável, abundante? O que seria de nós sem a nossa energia, preferencialmente limpa, renovável e sustentável? O que seria de nós sem os meios de comunicação, a arte e o entretenimento?

São eles que tem nos mantido “vivos” durante todo este caos. Além, é claro, dos profissionais que atuam nestes ramos de mercado, como os profissionais da saúde, os agricultores, os caminhoneiros, funcionários de supermercados, pessoal da limpeza, técnicos de manutenção, etc.

Há recursos para todos, há abundância para que todos vivam de maneira digna, justa e saudável, desde que aprendamos a viver com menos futilidades e mais utilidades. Assim, deixamos de sustentar esta máquina de exploração ambiental e humana chamada capitalismo.

Quanto mais minimalistas nos tornamos, mais abandonamos este sistema insano e tomamos posse das nossas vidas. São as nossas escolhas que sustentam ou não este mercado. Que todos saibamos escolher com consciência e ética, para que assim tenhamos soberania na construção de um mundo mais justo, equilibrado e sustentável. Um mundo onde as economias sejam solidárias, colaborativas, circulares, compartilhadas e criativas.

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