Ivi em Cena – Made in China

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Oi, tudo bem? Meu nome é Iviane Kuchpil, ou simplesmente Ivi, para os chegados.

A partir de hoje, atendendo ao desafio dos meus companheiros aqui do Biarticulando (“challenge Accepted”, como responderia Barney Stinson, da maravilhosa “How I met your mother”), ocuparei este nobre espaço para falar um pouco sobre séries, documentários, filmes, livros e tudo que englobar entretenimento e cultura pop.

Mas antes disso, vou me apresentar. Sou jornalista por formação, trabalho em um banco, produzo conteúdo, sou mestre em Administração (mas preferia ser Jedi), meio nerd, apaixonada por tecnologia e curiosa por natureza.

Porém, far, far, away desse tanto de coisa aí, o que eu mais gosto e nasci para ser, é ser mãe da Eduarda: uma adolescente linda de 14 anos que me mantém atualizada dos acontecimentos do TikTok, das séries teens do momento, além de ser minha futura cinegrafista/diretora, pois logo esta coluna vai migrar para vídeo.

Voltando ao conteúdo do Ivi Em Cena… é algo que vou fazer com leveza, sem pretensões, para dar dicas do que vi, gostei e acho que vale à pena compartilhar.

Em tempos de isolamento social necessário, os serviços de streaming e  a TVs a cabo têm papel vital para fugirmos um pouco do noticiário e arejarmos a mente.

Espero que gostem… Vamos lá?

Para começar, comento sobre dois documentários que têm a China como protagonista (um deles, ganhador do Oscar da categoria em 2020), e toda a controvérsia que há em torno das coisas que ela exporta, sejam estas capital, trabalho ou know-how.

THE CHINA HU$TLE

A China é um perigo… e isso não tem nada a ver com o coronavírus.

The China Hustle é um documentário que conta como mais de 400 empresas chinesas conseguiram colocar suas cotas no mercado de ações dos EUA através de uma manobra denominada fusão reserva, que utiliza “shell companies” para deixar tudo legalizado.

Os números impressionam, bem como a falta de punição e regulação.Estimam-se de U$ 20 a U$ 50 bi  em ações no mercado americano cujo valor real era zero. Apenas os fundos de pensão/aposentadoria americanos tiveram perdas próximas à U$ 14 bi. Destas 400 empresas supracitadas, apenas um CEO está preso.

O frenesi em torno do crescimento veloz da China, junto à falta de fiscalização, leis chinesas que não permitem a transparência e relatórios inflados resultaram em uma fraude imensa.

Um dos entrevistados é claro ao dizer que os banqueiros, os auditores e os advogados envolvidos nada puderam fazer…  (oi???)

Executivos e CEOs ganharam bônus astronômicos nesta bolha e de novo, como aconteceu na crise do subprime, quem pagou a conta foi o americano de classe média.

Nada de novo no front. É o “capetalismo” selvagem dando suas caras… e cartas..

AMERICAN FACTORY

O documentário vencedor desta categoria no Oscar 2020, American Factory, fez jus à estatueta. Com quase duas horas de duração, é incômodo do início ao fim. Ele narra a implantação de uma fábrica de vidros automotivos chinesa que se instala em uma planta da GM desativada em Ohio, após a demissão de 2000 americanos, no auge da crise  recente daquele país.

No começo, os heroicos chineses são recebidos pelo colegas do Tio Sam com gratidão e curiosidade. Porém, no decorrer do tempo, as diferenças culturais se acentuam e os atritos começam.

Incrível perceber como o sangue de um trabalhador “doutrinado” tem poder. Os chineses que vieram trabalhar nos EUA acham normal jornadas de 12 horas ao dia e duas folgas ao mês. Eles visitam suas famílias duas vezes ao ano mas “está tudo bem”.

Folgados para eles são os americanos, que lutam por maior segurança no trabalho, salários mais dignos (a GM pagava quase 30 dólares a hora; os chineses pagam U$ 12) e a implantação de um sindicato para a categoria, através do voto.

Terminei o documentário me sentindo mal.  A lógica perversa do menor custo, da mão de obra barata e da falta de direitos trabalhistas é um soco no estômago.

Vale assistir e repensar que mundo estamos construindo… Capital e trabalho devem ser revistos. É uma questão de salubridade e humanidade.

Não de ser marxista.

Recomendo…

 

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