Saudades da Renata Bueno | Luís Molossi

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29 Dec 1971, Rome, Italy --- Senators and Deputies fill the flag-draped Chamber of Deputies to witness President Giovanni Leone (standing at second highest row of desks facing deputies) take the oath of office. --- Image by © Bettmann/CORBIS

18 de fevereiro de 2020

REFERENDUM CONSTITUCIONAL NA ITÁLIA ANUNCIA O DERRADEIRO FIM DOS PARLAMENTARES NO EXTERIOR

Você lembra quem são os nossos representantes, eleitos em 2018 para o Parlamento Italiano? Foram 9.431 votos para Fausto Longo (PD) e 12.100 para Luiz Lorenzato (Lega), únicos eleitos pelos ítalo-brasileiros, em 2018 e, considerando o seu natural alinhamento e obediência aos mandamentos às siglas a que fazem parte, não se percebe nenhuma ação contundente nestes quase 2 anos de mandato. Os demais são os 2 senadores ítalo-argentinos (Merlo e Cario-Usei/Maie) e os deputados Sangregorio (Usei) e Borghese (Maie). No total, são 6 os parlamentares eleitos e que representam a América do Sul/Meridional, mas poderão ser apenas 4, a partir da próxima eleição parlamentar, se aprovado o SIM no referendum previsto para breve e que é o tema central deste artigo.

Saudades de Renata Bueno? De alguma forma, eu tenho sim.

Por falar em lembrar, Renata Bueno, exerceu o cargo de deputada, entre 2013 a 2018, numa surpreendente eleição em que superou seu líder, Sangregorio (Usei) – que criou e financiou a legenda para a sua própria eleição – a qual somente se confirmou apenas em 2018, justamente no lugar da ex-parlamentar. Nem mesmo a tradicional entourage política brasileira, de 2 partidos médios que lhe davam estrutura, espaço político e midiático, se faz presente com os nossos 2 atuais representantes, mesmo que os resultados concretos sejam muito próximos do zero para todos. Exceção deve ser feita ao ex-deputado Fabio Porta que, mesmo não obtendo a vaga ao Senado em 2018, tem sido mais presente e participativo na nossa Comunidade Italiana, que os dois eleitos.

Pelo menos, nos tempos de Renata Bueno, dada a sua total independência e desvinculação a qualquer corrente ou grupo político – embora mais de uma vez quis colar a sua atuação ao PD do ex-premier Matteo Renzi – se sabia de alguns fatos e eventos, importantes ou não, com os quais se podia concordar ou criticar, mas, ao menos, mexia frequentemente com a dinâmica da comunidade local. E suas fotos, ao lado de políticos e personalidades, nos mais variados eventos ao menos geravam alguma notícia.

E, se já não temos representação com a atual composição política, tudo vai piorar, se o referendum, que acontecerá em 29/03/2020 na Itália e 3 (três) dias antes no exterior, aprovar o texto da lei, das emendas aos artigos 56, 57 e 59 da Constituição Italiana sobre a redução do número de parlamentares. A consulta vai convalidar ou refutar a proposta aprovada definitivamente pela Câmara dos Deputados Italiana e publicada em 12/10/2019, na Gazzetta Ufficiale, o que implica em corte no número de deputados de 630 para 400 e de senadores, de 315 para 200.

Nós, italianos residentes no mundo, seremos chamados a votar, como acontece desde o início do voto no exterior. Receberemos, em casa, o plico elettorale para o voto por correspondência, já no início de março de 2020. A resposta possível, por se tratar de referendo, estará simplesmente entre SIM e NÃO. O prazo para a devolução do envelope com o voto ao consulado de pertencimento é 26/03/2020, às 16hs00. Como sempre questionamos, logo nos vem a dúvida sobre o quanto os eleitores, residentes no exterior, estão atualizados, informados e preparados para esta importante e definitiva decisão.

Diante da magnitude que este voto SIM ou NÃO implica, na representação parlamentar, surge, entre nós, que vivemos e atuamos no dia-a-dia da política, dentro do Sistema Itália no exterior, um paradoxo, pois há um natural movimento mundial de conscientização para reduzir o número de cargos políticos, enxugando a máquina pública e a natural economia que estas medidas implicam. Porém, ao apoiar esta proposta, diminuiremos ainda mais a pouca participação que temos, já que a redução para os eleitos no exterior também será de 1/3. Assim, se já era difícil competir com os medalhões da política desde sempre em campo e aqueles do grande poder econômico, com menos vagas, a missão se tornará quase impossível.

Novamente, a exemplo da edição anterior, voltamos a questionar quando e como se faz realmente justiça nas escolhas democráticas, consideradas as opções acima, assim como ocorreu no voto de “democrático” que, em décadas de pouca atuação política verdadeira, o COMITES PR/SC, e seus conselheiros eleitos, foram acionados, coisa muito rara nestes mais de 15 anos em que atuo neste conselho. Diante de um caso concreto, o COMITES PR/SC tomou decisão que mudou a tendência de tratamento a um assunto que afeta diretamente a Comunidade Italiana local, permitindo a reabertura de um canal de diálogo com o Consulado Italiano e seu modo questionável de comunicação e tratamento até então em vigor. Venceu a democracia, mesmo que muitos ainda contestem a decisão tomada pelo conselho, como sempre acontece em situações assim.

Vivemos um período de redefinições das forças políticas em todo o mundo, com a rápida correção de escolhas erradas, quando se verificam exageros e inaptidões governamentais, que é o que se espera sempre, como custo da democracia. Se a lógica de Montesquieu é “dividir quem vai mandar é a única forma de encontrar, entres os inúmeros postulantes aos cargos e ao poder, quem realmente possa ter alguma chance de cumprir dignamente a missão.” a equação continuará a mesma. Vencendo o SIM no referendum, apenas o número divisor será menor, diminuindo as chances de errar. Será? IO VOTEREI NO!

Você encontra mais conteúdos sobre a Itália no site www.luismolossi.com

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