Nelton Friedrich | Apesar de Brasília, por uma economia pós pandemia

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     Alô minha gente. Todos estamos vivenciando essa tragédia sanitária. Porém  a situação está muito agravada devido a forma como os estrangeiros estão vendo o que nós estamos deixando de fazer.
     A desarticulação e a ausência de liderança firme no trato de uma situação grave como esta geram uma repercussão negativa muito grande internacionalmente, podendo gerar mesmo consequências para todos nós brasileiros.
Vamos falar sobre isso?
     É claro que vamos tratar evidentemente da questão presente da crise, ou das crises, mas também tentando já fazer um olhar para o futuro pós-pandemia, o que é absolutamente lamentável, pois estamos vivenciando uma catástrofe no que se refere à imagem do Brasil.
     O resumo da ópera é que estamos sem coordenação nacional, sem liderança que agregue energias e forças importantes para podermos ultrapassar a crise ou ao menos minimizar os grandes efeitos de um problema tão grave como este.
     É preciso novamente repetir: nós temos uma crise econômica aguda – mas é importante salientar que já estávamos em grave crise. Afinal,  sabemos como estávamos no início de fevereiro, com quase 12 milhões de desempregados e 34 milhões fazendo bicos para tentar sobreviver. E De outro lado, os bancos com lucro extraordinário aumentando ainda mais a desigualdade.
     Agora o mais importante que temos para apontar é a crise política. “Mas por quê?” Você poderia me perguntar… Respondo… Porque falta coordenação, falta rumo! É um barco navegando sem bússola e sem timoneiro. Diante disso, precisamos enfrentar a reação que está em curso no exterior de que o Brasil é o pior país no combate à pandemia.
     Os conceitos que estão fazendo a nosso respeito têm endereço certo e portanto têm uma questão concreta. O Brasil conta hoje com um governo que hostiliza a tudo e a todos que não pensam da mesma forma, criando ainda mais confusão. Acaba tendo atitudes de negação até mesmo do próprio ministério da saúde, se recordarmos da gestão do Mandetta.
     Vejam que absurdo… Já imaginaram, em plena pandemia, estamos no terceiro ministro da saúde! Isso sem contar a confusão do ministro da educação e a confusão que continua fazendo o ministro das relações exteriores. É um verdadeiro Deus nos acuda!
     Pois bem… agora veja a repercussão lá fora e os seus efeitos internamente para nós. Como exemplo concreto, nessas últimas semanas tivemos uma situação muito séria, que é a ameaça por parte de grandes grupos de investidores, inclusive fundos de pensão, de retirarem seus investimentos do país. Portanto, não se trata de um grupo econômico, de apenas um grande capitalista e portanto, também não se trata de uma manifestação de alguém da esquerda ou direita. Nós estamos falando de fundos gigantescos que trabalham com cifras fora do comum – em torno de dois trilhões de dólares. Ou seja, estamos falando de quase 12 trilhões de reais que estão exatamente buscando com a sua lupa os diferentes países do mundo para fazer os investimentos.
     E o que estes fundos nos disseram agora? Disseram eles, que estamos diante da possibilidade concreta de vê-los desinvestir no Brasil, inclusive em títulos do governo, que são importantes no que diz respeito à própria dívida brasileira. Portanto, são vários desses grandes grupos de investimento, principalmente europeus, que acabam se somando àquilo que já aconteceu em setembro do ano passado, onde 230 investidores institucionais remeteram uma carta ao governo brasileiro pedindo ações urgentes, especialmente no que diz respeito à questão ambiental.
     Então vemos hoje os megagrupos e fundos de investimento enviando cartas e se manifestando. O pior é que muita gente nem percebe que aquele vídeo que retratou aquela reunião absolutamente tresloucada dos ministérios com o presidente circulou em todos esses fundos, circulou em toda a Europa em todos os países do mundo. O descalabro foi total!
     Adicionando a isso, temos hoje um ministro do meio ambiente que continua sendo o ministro contra o meio ambiente. Pode isso?
     Por essa razão, por exemplo, comento sobre um dado de alguns dias atrás: o ministro “dito” do meio ambiente anunciou que está criando um projeto chamado “Floresta Mais”. Mas este mesmo ministro desconsiderou e até agora não utilizou um bilhão e quinhentos milhões de reais que temos de um fundo e esses recursos estão parados e a gestão deveria estar acontecendo pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO . Porém,  pela atitude do governo isso foi paralisado. “R$ 1,5 bi!!!!!”
     Adicionando a isso há outro grande recurso que chega a três bilhões de reais que são doações para ações dentro do Brasil, sob coordenação do Governo Federal, principalmente para ações na área de sustentabilidade e de preservação da floresta amazônica. É óbvio… Isso evidentemente significaria injetar recursos para fazer uma série de atividades de proteção à natureza que resolveriam dois problemas de uma vez só: as questões ambiental e econômica.
     Soma-se a isso tudo, os nossos interesses referentes ao acordo da União Europeia com o Mercosul, que encontra-se parado, pois o acordo só será aplicado e vai funcionar se os 27 países que formam a União Europeia subscreverem. Todos comumente precisam dar um aval. 
     No entanto, a Holanda já informou que não vai dar aval algum pela situação que o Brasil se encontra hoje devido a sua política ambiental, anti sustentabilidade, anti agenda 2030 e anti os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável – ODS.
    Ao mesmo tempo podemos ter a certeza que estes países e estes fundos têm acompanhado tudo, pois estão todos conectados e contam com assessorias especializadas que possuem informação em tempo real, praticamente.
     Neste sentido gostaria de alertar que observando os dados é possível verificar que nunca as queimadas e os focos de incêndio em nossas florestas cresceram tanto nos últimos 13 anos. Apenas no mês de junho houve um crescimento de mais de 20%.
     Tivemos em 2019 o registro de 1.880 focos de queimadas e só em 2020 foram mais de 2.000. Querem o quê? Querem que a comunidade internacional aplauda tudo isso?
     E se de um lado tudo isso está acontecendo, de outro temos uma desarticulação total do governo brasileiro. Se nós não fizermos o dever de casa como poderíamos já ter feito – inclusive para enfrentar pandemia desde o início -, nós iremos enfrentar graves consequências.
     É preciso dizer que poderíamos agora estar pensando e trabalhando ao menos em uma grande força tarefa de várias pessoas, entidades e organizações de alta capacidade para criar iniciativas pós pandemia. Porém, uma coisa é o quadro presente e outra é como poderíamos estar tentando desenhar o pós-pandemia, ou o pós-crise. 
     Podemos dar um exemplo concreto. A Alemanha, maior economia da Europa e a quarta maior do mundo, elaborou um pacote de bilhões de euros, contendo corte de impostos, incentivos ao consumo e ajuda às empresas.
     É isso que eles estão fazendo! Além disso, eles estão avaliando na própria Alemanha um termo muito interessante de responsabilidade global, com o objetivo inclusive ampliado de propor uma linha de cooperação com os países diversos. 
     Porém, reparem…  Há poucos dias uma pessoa pertencente ao alto escalão do governo alemão, quando perguntado sobre as possibilidades desses apoios, disse claramente: “tomara que nós possamos também fazer a cooperação com o Brasil, mas desde que mudem”.
     Na Holanda estão trabalhando numa proposta que está trazendo componentes de uma teoria econômica mais solidária. A prefeitura de Amsterdã já aprovou, por exemplo, uma proposta econômica inovadora, chamada Economia para o Futuro, composta de mais solidariedade e menos competição. A intenção é prosperar em equilíbrio com o planeta.
Este tema ainda tem cinco grandes eixos que eu não vou poder tratar agora, mas tudo convergindo para este olhar de uma nova economia.
     Outra iniciativa interessante também ocorre na União Europeia, onde estão trabalhando em um extraordinário e instigante projeto chamado de Recuperação Econômica Pós Pandemia e Transição para a Sociedade Sustentável Justa e Resiliente. Em outras palavras, estão pensando em uma recuperação econômica para uma sociedade justa, sustentável, resiliente e pacífica. Esta proposta prevê orçamento para sete anos de 1.1 trilhão de euros.
     Enquanto isso, estamos por aqui discutindo se o planete é plano, negando o aquecimento global, a solidariedade, e todos os valores trazidos pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da agenda 2030 –  acordo que o Brasil firmou com mais de 192 outros países. 
     Estamos a “bater cabeça”, no “zig-zag” da ausência de coordenação, nesse verdadeiro DEUS nos acuda.
     Para concluir, vale salientar que implica ficarmos alertas e compreender que teremos que reunir as energias que ainda temos para realmente – e independente muitas vezes até de Brasília -, criar um mínimo de condição para que podemos atravessar a crise. E também incorporar conceitos como uma sociedade sustentável, resiliente e pacífica.
     O “normal” de antigamente, que dizem que deve voltar, não vai mais existir. Mas o novo normal e os contornos que ele deve ter, estes sim, já está na hora de nos abrirmos para discuti-los. Apesar de Brasília…

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