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terça-feira, 28, junho, 2022 | 04:30:13 AM

Vamos falar de um momento histórico!

Para isso, uma diretriz deve ficar compreendida: em um momento onde o ar é tóxico de tanto ódio, nunca um ensinamento de Cristo foi tão importante. Chegou a hora do Perdão! 

Nosso país tem potencial para guiar a humanidade para um novo ciclo e para isso, todos precisamos nos unir. União não se faz apenas com convertidos, mas o seu sentido é justamente agregar aqueles divergentes em nome da resolução de um problema comum. 

O Brasil é assolado pela miséria e desigualdade; tem 600 mil mortos decorrentes da pandemia; convive com a volta da inflação que corrói a renda dos brasileiros, especialmente os mais vulneráveis; é terreno fértil da violência; em pleno 2021 ainda discrimina outros seres humanos pela sua cor, gênero, origem, crenças, posição na pirâmide social e liberdades; entre outros agravantes da realidade nacional que não foram lembrados neste texto, evidenciando o drama vivido nestas terras nos dias de hoje. 

Uma quizumba que a falta de seriedade estimula a corrupção, pública e privada, a criminalidade, o poder paralelo, e a subserviência aos interesses ilegítimos e mesquinhos, nacionais e internacionais, tornando um desafio muito grande acreditar no futuro da nação e na própria eficácia do Contrato Social a partir do Estado Democrático de Direito. 

Isso cansa e intoxica o ar que respiramos aqui e nos deixa em um clima pesado, raivoso, apaixonado. Esta pintura de desastre mesmo em um solo rico e abençoado pela sua natureza e geografia, com um povo multiétnico, pluricultural, gentil e criativo. 

Para qualquer lado que se olhe vemos uma porta de saída para a superação dos problemas. O Brasil é o mais belo jardim que foi destruído por pisoteios dos porcos. Mas mesmo com tamanha destruição, basta retirar os porcos, garantir proteção para que estes não voltem, arrumar o solo e repodar as flores, respeitando o tempo da natureza – que pode demorar um pouco -, mas se os processos forem bem feitos, têm a tendência de crescerem firmes, fortes e bonitas. Este jardim depois de refeito inspirará paz e nós vamos unir os brasileiros que querem esta paz. 

Voltando alguns parágrafos acima, para nos unirmos é preciso nos perdoarmos e deixarmos o passado – que não se muda – de lado e olhando daqui pra frente, onde o que fazemos agora pode melhorar o futuro. Precisamos fazer isto por nós, pois é possível vislumbrar uma nação melhor num espaço relativamente curto de tempo em que a maioria de nós ainda estaremos vivos. Mas são os nossos filhos e netos que nos agradecerão por termos tido a coragem de perdoar, motivada pelo reconhecimento de um mal estar na sociedade brasileira que, por já ser assim há muito tempo e estar se agravando agora, torna insustentável o Estado das Coisas. A bomba está prestes a explodir e é necessário desarmá-la. E só há um jeito de fazer isso tudo: a tríade de binômios. Perdão/união, como início; política/império da lei, como meio; e desenvolvimento/justiça social, como fim.

Para perdoar é preciso entender que a experiência humana é composta por inúmeras variáveis e as condições do ambiente, temperatura e pressão influenciam na fragilidade humana. Portanto, quem vos fala crê que o indivíduo não nasce mal, mas se adapta ao fluxo em que se está inserido. Uma leitura rousseauniana adaptada da natureza humana, agregando a noção de dependência do ciclo ser positivo ou negativo para exponencializar qual das duas facetas inertes ao humano se sobressairá: luz ou trevas.

A união se faz deixando de lado as divergências e focando nas convergências, prezando pelo primado democrático da existência de diálogo aberto, franco, porém respeitoso, que busca contornar as diferenças e encurtar as distâncias. 

A política é instrumento absolutamente imprescindível na construção do diálogo, tão relevante para a fase um do processo de reconstrução do jardim. Inescapável também é, pois ainda que não se perceba, a política está presente em cada ato humano, pois ela equilibra os interesses pessoais com os limites da boa socialização, produzindo a forma de se postar. Ainda, não existe nova ou velha política, existe política boa ou má política, política bem feita e política mal feita.

Para que o império da lei seja eficaz, é preciso uma atividade legislativa que tenha boas iniciativas, baseadas nas normas e costumes, tendo a percepção dos níveis de tolerância social como referência. Um aparato de segurança e investigação inteligente e voltado ao respeito cidadão e não na arbitrariedade como regra. Instituições fortes e firmes, perseguindo a independência de interesses e agentes externos e dissonantes aos constitucionais e infralegais. E a garantia do cumprimento da lei e execução das ordens judiciais, como princípio.

Importante afirmar que o perdão aqui proposto é para os erros mundanos e de menor potencial ofensivo, mas os que usaram do desrespeito a estas normas e costumes como meio para obter vantagem, cometem crimes e dentro da realidade punitivista e garantia dos direitos fundamentais de ampla defesa e contraditório, devem responder por eles. Para os erros políticos, cobrados devem ser os que foram exemplo moldador de militância, não os militantes em si, que são cidadãos comuns, por vezes sujeitos à manipulação narrativa destes que estão na ponta. Em suma: aqueles que influenciaram que respondam por seus eventuais crimes; os que foram influenciados precisam ser perdoados. Uma anistia da sociabilidade para a recondução ao convívio harmônico entre os divergentes. 

Desenvolvimento se faz com projeto para induzir ao crescimento econômico que busque evitar as grandes concentrações de renda e dominância da desigualdade, oportunizando a suficiência de condições para o bom exercício cidadão onde prevaleça a dignidade pessoal.

Justiça social se faz reconhecendo o direito do outro viver na sua plenitude e entender, criando mecanismos de superação da desigualdade, que não há que se falar em meritocracia se não houver igualdade de oportunidades. Entendamos a meritocracia como fim, pois é nela que as competências individuais farão a diferença, possibilitando o avanço da nossa sociedade. Contudo, é um grave equívoco estimular, no cenário atual, este fim como política pública e regra para ascensão social em um país como o Brasil, no qual a realidade se impõe e a desigualdade escancara, grita, implora pela igualdade de oportunidades. Quando a desigualdade se coloca desde o ponto de partida, simplesmente não é justo advogar exclusivamente o mérito próprio como modo de ascensão, pois ainda que casos isolados consigam sobressair-se nestas condições, esta não é a regra e nem se aplica ao coletivo, razão final da elaboração de políticas públicas. Trocando em miúdos, a igualdade de oportunidades é meio e conditio sine qua non para o fim de uma sociedade meritocrática. Portanto, é pura perda de tempo falar sobre meritocracia enquanto regra de ascensão na pirâmide sem equalizar as oportunidades para qualquer cidadão, independente de qual faixa da pirâmide social se encontre, um debate inócuo que deveria ser substituído por práticas que acelerem a equalização das oportunidades, com uma educação pública de base, média e superior de ponta. 

Retornando ao início, afirmei que o Brasil tem potencial para guiar a humanidade para um novo ciclo, mas como acreditar nisso ao se deparar com o jardim destruído pelos porcos? Como imaginar que um país com seus próprios e numerosos problemas, inclusive em um momento de retrocessos, pode ser o guia da humanidade rumo ao novo ciclo de paz e prosperidade? Simples: buscando olhar com frieza, sem paixão, as causas que nos trouxeram até aqui e nos impedem de avançar ainda mais. Identificá-las, refleti-las, saná-las. E não há casuísmo numa situação como esta, ao contrário, trata-se de plano. Já se perdeu o benefício da ação, pois esta foi tomada por quem este texto busca deflagrar como causa para nosso drama. Nos resta a reação, tão desprezada por Nietzsche – que, embora admirador, não sou forçado a enxergar o mundo como ele. E ainda que entenda a pujança da ação em detrimento da reação apontada por ele, o tempo histórico nos classifica como reativos. Para superarmos a “desvantagem” de REagir ao invés de agir, necessitamos de método: ideia (um objetivo a perseguir), exemplo (meio para consolidar esta perseguição) e luta (ferramenta sem a qual é inviável conquistar o objetivo). É tarde da noite enquanto escrevo estes últimos parágrafos, mas quero sonhar com esta ideia e amanhã cedo acordar e poder militar por este objetivo, sem esquecer que a crença está diretamente conectada ao exemplo. E eu acredito nesta ideia de Brasil e seguirei lutando por ela, pois não haverá preço que pague assistir à essência deste povo e deste chão sendo devidamente aproveitados, desenvolvendo suas potencialidades humanas, sociais e físicas e guiando a civilização ocidental, desta vez à brasileira. O povo brasileiro, se inspirado por luz ao invés de trevas, tem ainda muito mais a oferecer para este mundo doente e inconsequente per se.

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