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segunda-feira, 13, julho, 2020 | 08:46:00 AM

Até quando a vida será movida por cifras? Questionamentos sobre o modelo neoliberal atual agudizado pela globalização:

Sob a égide da globalização, a década de 90 no Brasil, período  governado pelos neoliberais Collor e Fernando Henrique Cardoso, foi marcada por grandes transformações.  

A maior transformação que esse fenômeno global trouxe foi a abertura comercial, que intensificou o liberalismo econômico e a privatização. Mas, oculta pelas propagandas positivas da “união” entre os países, está a desigualdade social, que aumenta cada vez mais. 

Não há dúvidas que a América Latina, especialmente o Brasil, foi e ainda é, um território fértil para a “globalização”, a razão parece óbvia, mas os entreguistas parecem não se importar com as riquezas ambientais do próprio país e nem com a própria população. Por isso, oportunizam a exploração e alimentam não aqueles que têm fome, mas os bolsos dos que tem mais.

Para o ex deputado constituinte Nelton Friedrich, o modelo neoliberal brasileiro é um tiro no pé e outro no futuro da nação. “Nós estamos vendo como o modelo neoliberal no Brasil ainda quer ser ultra-neoliberal. É um tiro no pé e um tiro no futuro, porque é um processo absolutamente entreguista que não tem autonomia nacional e não é autogerado”.

Com raízes fincadas no imaginário coletivo, poucos associam a globalização como causa dos problemas sociais e ambientais, pois se apegaram num momento de “ouro”, ou melhor, se deixaram levar pelo lado feliz da globalização, como diz o jornalista Fernando Canzian

No entanto, basta uma crise para a face mais obscura da globalização aparecer. E mesmo assim, não é visível para todos. Muitas vezes sintoma de uma cegueira seletiva. Pois, nem mesmo a pandemia elucidou o próprio presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que se diz patriota, mas beija mais a bandeira dos Estados Unidos do que a própria esposa. 

Infelizmente, devemos reconhecer que a exemplo do presidente dos Estados Unidos, o Trump, Bolsonaro sabe se aproveitar, através do discurso populista, das fragilidades econômicas da população do país da informalidade. É notório, portanto que, o Brasil está em meio a duas crises, dois vírus: o presidente e o corona (Covid-19). 

Na verdade, há inúmeras crises. Crise diplomática, que, mais uma vez, seguido a exemplo de Trump, o governo Bolsonaro conflita com a China. Crise na saúde, com o entra e saí de ministros, e não só, crise com a Organização Mundial da Saúde, desmerecendo a instituição e não assinando o documento que muitos países assinaram para investir nas pesquisas acerca de uma vacina para superar o coronavírus. Além de tudo, brinca de médico e receita um remédio ineficaz goela abaixo da população. Fora as disseminações de fake news

Foi aquele contexto histórico neoliberal citado no início deste artigo uma das responsáveis circunstâncias que moldou o pensamento político atual e tornou o Brasil uma vergonha entreguista, sendo uma “meretriz” dos EUA. Só que agora, quem lidera o legado de Collor e FHC, com menos escrúpulos, é Bolsonaro.

O teórico conservador Niall Ferguson, previa a desglobalização há 15 anos, mas era contra ela. Na visão de Ferguson os países pobres precisam das nações ricas para sobreviver. Conclusão tanto óbvia, talvez se deve ao fato de que a cultura imperialista das nações ricas (especialmente os EUA) exploram as nações pobres, e se aproveita do discurso barato ao invés da reparação. Assim fica fácil defender a globalização como a alternativa salvadora.

Posto isso, para Friedrich, “nós estamos, portanto, nos estertores de uma proposta economicista e absolutamente predatória e, ao mesmo tempo ela tem um componente forte de ser anti social, que vem de uma neocolonização”.

É certo que, o mundo, tal como ele é hoje, não funciona, até funciona, pra quem tem. Mas como diz Friedrich, “esse grande sistema que nos governa, nos dirige, e que tem seus adeptos de um remédio vencido, não serve mais”. Nesse sentido, há de se pensar num outro modelo, pois a vida não pode ser movida por cifras. Ainda para Friedrich que humaniza as pautas, a universalização é uma opção. Mas, como alterar essa engrenagem é a grande questão. 

Veja só, se em meio a uma crise pandemica, no mês de abril o desmatamento na Amazônia foi maior em 10 anos… Devemos nos questionar a quem essa exploração beneficia. Se diante de uma crise sanitária que demanda humanização, não há… é de esperar mais desastres ambientais como o de Mariana, Brumadinho, incêndio na Amazônia, e claro, os de saúde, como problemas respiratórios causados pela poluição e até mesmo o próprio coronavírus. 

Para concluir nas palavras de Nelton Friedrich. “O problema é que o ser humano no desequilíbrio que produziu, na forma como ele vem achando que é o plenipotenciário, que ele que é o soberano, ele que pode tudo. Ele come, ele convive (sic), ele derruba, ele desequilibra, ele contamina, ele faz tudo isso e não quer que venha consequências. Na natureza não existe castigo, existem consequências”. 

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