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segunda-feira, 13, julho, 2020 | 07:48:51 AM

Minha História

A coluna de hoje vem no esquema combo, já que vou falar sobre dois produtos de mídia com o mesmo nome: “Minha História”,  livro e documentário do Netflix sobre a vida de Michelle Obama, ex-primeira-dama do Estados Unidos.

Sou suspeita para falar do clã Obama. Sou fã desta família e até hoje, se assisto a cenas da cerimônia de posse de Barack em 2008, em Washington, eu me emociono (aconteceu ontem, no documentário). 

Em um momento no qual a questão racial se encontra em ebulição na cultura americana, iniciada pelos protestos originados pela morte do afro-americano George Floyd por policiais brancos, tanto o livro como o documentário sobre a senhora Obama tornam-se emblemáticos. Afinal, a todo momento a questão racial permeia a história de Michelle e sua família. É possível perceber o racismo estrutural da sociedade nos anos 70 e 80, seja na falta de oportunidades, na vizinhança branca que migra para o subúrbio, deixando o bairro por medo de que este se torne um gueto, ou pela conselheira de uma renomada faculdade “Ivy League” que disse à então candidata Michelle que ela não parecia “pertencer ao lugar”. Tudo muito velado mas suficiente para dificultar bastante os caminhos trilhados.

Apesar desta coincidência, ledo engano pensar que ambos possuem o mesmo conteúdo. O documentário retrata a turnê de lançamento do livro, a partir de 2018, que passou por 34 estádios americanos, com sucesso de público em todos. Já o livro é a biografia dela. 

Então que a obra escrita é puro deleite. São mais de 500 páginas sobre uma mulher negra, nascida na Chicago dos anos 60, de classe operária e super empenhada na escola.

A personalidade forte e dedicada, somada a uma criação cujos pais (o pai, operário da empresa de trens da cidade e portador de esclerose múltipla e a mãe, dona de casa) imprimiram em seus filhos (Michelle possui um irmão, Craig) o sentimento de pertencimento a qualquer lugar que eles desejassem chegar, faz do livro uma aventura deliciosa.

Os anos na pré-escola, as aulas de piano, os discos de jazz do avô, a intervenção da mãe – que quando percebeu que a filha estava em uma turma cuja professora não enxergava seu potencial e a estava desestimulando, conversa com os diretores e consegue com que Michelle vã para uma turma de alunos avançados -., fazem o leitor viajar para o sul de Chicago e ver o mundo daquela época, sob os os olhos da jovem.

Ao crescer, ela narra como foi, vinda de colégio público, chegar à Princeton, passar por Harvard e conquistar um trabalho de prestigio e ótimo salário aos 27 anos, em um renomado escritório de advocacia de Chicago.

Neste escritório ela fica responsável por mentorar um estudante, também negro, e também vindo de Harvard. Ele se atrasa na primeira reunião, ela fica irritada e ao receber um telefonema, seu mentorado se desculpa após se apresentar: do outro da linha, Barack Obama.

Obama entra na vida de Michelle e ela começa a ver o mundo por sua ótica, porém sem nunca abrir mão de quem ela era e no que acreditava. Abandona a carreira de advogada bem sucedida e encontra vocação e realização profissional no setor público. Primeiro, na prefeitura, depois em uma universidade.

A escolha deste homem pela vida pública, a busca pela maternidade, os tratamentos de fertilidade e a reação sobre a possível candidatura de Barack à POTUS a tornam humana, ambígua, sensível, forte, prática, receosa…. Tudo junto e misturado.

Como deveria ser, a parte mais empolgante do livro é quando ela narra as agruras da primeira campanha, que durou longos um ano e meio, o ressentimento inicial da mídia com ela – e como ela contornou tal situação -, bem como a emoção da vitória, a chegada e os anos de Casa Branca e a parceria infalível com a mãe, Marian.

Obviamente, recomendo primeiro o livro, pois acompanhamos nossa heroína desde pequena, neste vida incrível de superação, resiliência e uma pitada de sorte e conjuntura histórica. 

O livro tem um epílogo um tanto amargo, pois traz a incredulidade de Michelle com a eleição de Trump para sucedê-los na Casa Branca.

É aí que entra o papel quase “redentor” do documentário, onde vemos uma Michelle ciente de sua história e legado, levando palavras de força, esperança e união aos quatro cantos dos Estados Unidos.

Maravilhosa e inspiradora!

Nota da autora: Que os 13 pontos que o vice-presidente de Obama, Joe Biden, mantém vantagem em relação à Trump atualmente na corrida pela presidência americana erdurem até a eleição, em novembro deste ano. A relação dos Obama com os Biden é de lealdade, amizade e vai além a esfera política. Seria interessantíssimo, para os EUA de 2021, uma secretária de Estado negra e mulher.

Ela nega qualquer pretensão política… mas é só assistir ao documentário que nota-se que o carisma de Barack é contagioso. A forte figura de Michelle está lá para comprovar isso.

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